Olhe pela janela do seu cliente
Sempre vai ser mais possível compreender o cliente quando o terapeuta está disposto a entrar no mundo dele.
Em Os Desafios da Terapia, uma das recomendações de leitura dos grupos de supervisão do Transborda, o autor compartilha uma experiência com uma cliente que passou boa parte da vida em conflito com o pai.
Em certo momento, ela decide fazer uma viagem com ele e enxerga naquele percurso uma oportunidade de aproximação. Mas as coisas não acontecem como ela esperava.
Durante a viagem, o pai começa a reclamar de um córrego sujo e cheio de lixo às margens da estrada. Ela olha pela janela e vê apenas um riacho bonito, cercado pela natureza.
Diante daquela diferença de percepção, ela permanece em silêncio e desiste, naquele momento, da possibilidade de aproximação.
Anos depois, ela decide refazer o mesmo percurso. E então percebe que, na verdade, existiam dois córregos, um de cada lado da estrada. O córrego que o pai havia visto anos antes realmente estava sujo e poluído.
Ela só conseguiu compreender o que o pai havia visto quando se sentou no lugar dele e olhou pela janela dele.
Essa história traz uma reflexão muito potente para a clínica:“O que muda quando olhamos para a experiência do cliente pela janela dele?”
Como terapeutas, precisamos nos dispor a olhar pela janela do outro. Tentar enxergar o mundo como ele se apresenta para o nosso cliente, a partir da sua história, das suas experiências e da forma como ele atribui sentido ao que vive.
Sem julgamentos. Sem predisposições. Sem a pressa de mostrar o que estamos vendo da nossa própria janela.
Antes de qualquer coisa, é parte essencial do nosso trabalho compreender a realidade a partir da perspectiva dele: enxergar o mundo como ele o enxerga, antes de qualquer interpretação.
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