Dar nome ao que sentimos é um ato terapêutico
- Transborda Psicoterapia
- há 4 dias
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Há momentos em que sabemos que algo não está bem, mas ainda não conseguimos dizer exatamente o quê.
Isso é o sentir o peso da experiência antes mesmo de compreendê-la.
No ciclo do contato da Gestalt-terapia, chamamos de dar-se conta o movimento de perceber aquilo que está vivo em nossa experiência.
É reconhecer o que sentimos, pensamos, desejamos e evitamos.
Muitas vezes a experiência chega primeiro como sensação.
Um aperto no peito, uma irritação persistente, um cansaço que não passa, uma tristeza difícil de explicar…
Quando entramos em contato com essa experiência, ela começa a ganhar contornos.
• a irritação pode revelar frustração
• a ansiedade pode revelar medo
• o desânimo pode revelar exaustão
• a culpa pode revelar um conflito
Nomear o que sentimos aproxima a experiência da nossa consciência. Aos poucos, aquilo que parecia confuso ganha contornos e pode ser reconhecido com mais clareza.
No ciclo do contato, o dar-se conta amplia nossa capacidade de escolha. Quando percebemos o que estamos vivendo, necessidades, emoções e conflitos tornam-se mais visíveis e novas possibilidades de ação podem emergir.
Toda transformação começa quando aquilo que era apenas sensação passa a ser reconhecido como experiência.
Há experiências que nos atravessam antes mesmo de serem compreendidas.
Sentimos um aperto, uma inquietação, um cansaço persistente ou uma tristeza difícil de explicar. A experiência chega primeiro ao corpo, aos afetos e às relações. As palavras costumam vir depois.
Na Gestalt-terapia, um dos processos centrais do trabalho clínico é o desenvolvimento da awareness, ou do dar-se conta. Aos poucos, aquilo que parecia apenas uma sensação difusa ganha forma, significado e pode ser reconhecido com mais clareza.
Parte do trabalho terapêutico consiste justamente em acompanhar o cliente nesse processo de aproximação da própria experiência. Perceber emoções, reconhecer necessidades, identificar padrões de funcionamento e encontrar palavras para aquilo que muitas vezes era vivido apenas como incômodo, confusão ou sofrimento.
Quando uma experiência encontra linguagem, algo se organiza. O que antes parecia sem forma passa a ser reconhecido e compreendido dentro da própria história. E, junto dessa compreensão, surgem novas possibilidades de contato, escolha e transformação.
Essa reflexão foi inspirada pela leitura de Sintomas, de Marcela Ceribelli, especialmente pela ideia de que nomear uma emoção pode transformar algo aparentemente indefinido em uma experiência compreensível.
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