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Estudando conceitos da Gestalt-terapia com Gilberto Gil


Hoje não vamos falar de um conceito específico da Gestalt-terapia, mas de algo que atravessa todo o processo terapêutico: a autonomia.


Na Gestalt, autonomia não significa fazer tudo sozinho ou ignorar a influência do ambiente. Significa desenvolver a capacidade de reconhecer as próprias necessidades, fazer escolhas conscientes e assumir a responsabilidade por elas.


Ao longo da terapia, o cliente passa a agir com mais clareza diante da própria vida. Ele identifica o que deseja, reconhece seus limites, amplia sua consciência sobre si mesmo e fortalece sua capacidade de sustentar suas escolhas e seus movimentos no mundo.


Essa ideia aparece de forma muito bonita na música Aquele Abraço, de Gilberto Gil:

"Meu caminho pelo mundo eu mesmo traçoA Bahia já me deu régua e compassoQuem sabe de mim sou eu.”


Quando Gil canta "Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço", ele fala sobre assumir a autoria da própria vida. Em seguida, ao dizer "A Bahia já me deu régua e compasso", reconhece que esse caminho não é construído do zero: somos atravessados pela nossa história, pela cultura, pelas relações e pelo contexto em que vivemos. Ainda assim, essas influências não determinam completamente quem somos.


Na Gestalt-terapia, essa é uma ideia central. Somos constituídos na relação com o mundo, mas também somos capazes de responder a ele de maneira criativa e responsável. Autonomia não é negar o que nos formou, mas reconhecer nossas influências e, a partir delas, escolher como queremos seguir.


Talvez seja isso que Gilberto Gil nos lembre: nossa história oferece a régua e o compasso, mas somos nós que traçamos o caminho.


 
 
 

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