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Nem todo cliente quer mudar (e isso muda a sua clínica)

Essa é uma das coisas mais difíceis de sustentar como terapeuta, porque a ideia de que todo cliente que chega à terapia quer mudar não se sustenta na prática.


Muitos querem aliviar o sofrimento; outros querem entender o que está acontecendo; alguns querem melhorar uma situação específica… mas nem todos estão disponíveis para mudar.


E isso não é resistência no sentido simplista. É uma forma de funcionamento.


  • Mudar implica perda.

  • Implica abrir mão de formas conhecidas de existir, mesmo que sejam dolorosas.

  • Implica sair de lugares que, de algum modo, ainda oferecem algum tipo de segurança, pertencimento ou organização interna.


Por isso, muitas vezes, o cliente quer melhorar sem precisar mudar. Quer se sentir melhor, mas sem mexer naquilo que sustenta o problema.


E é nesse ponto que muitos terapeutas se perdem, porque começam a querer mais mudança do que o próprio cliente.


Insistem, confrontam, explicam, tentam levar o cliente a algum lugar… mas, na verdade, estão desconsiderando o ritmo e o limite daquele processo.


Na Gestalt-terapia, a mudança não é algo que o terapeuta provoca diretamente. Ela acontece quando há aumento de awareness, quando a pessoa começa a se perceber, reconhecer seus padrões e se implicar no que vive, mas isso só acontece se houver espaço para que o cliente esteja onde ele está.


Quando o terapeuta não sustenta isso, dois movimentos costumam acontecer:

  • Ou ele entra em frustração, achando que o cliente“não evolui”.

  • Ou ele começa a empurrar o processo, rompendo o vínculo.


Nem todo cliente quer mudar e reconhecer isso não significa desistir do processo. Significa ajustar a sua forma de estar.


Porque o trabalho não é fazer o cliente mudar. É ajudá-lo a perceber como ele se mantém exatamente onde está e isso, por si só, já é um movimento potente.

A pergunta não é: “Por que esse cliente não muda?”

Mas sim:  “O que, para ele, ainda faz sentido em não mudar?”


 
 
 

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