Nem todo cliente quer mudar (e isso muda a sua clínica)
- Transborda Psicoterapia
- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Essa é uma das coisas mais difíceis de sustentar como terapeuta, porque a ideia de que todo cliente que chega à terapia quer mudar não se sustenta na prática.
Muitos querem aliviar o sofrimento; outros querem entender o que está acontecendo; alguns querem melhorar uma situação específica… mas nem todos estão disponíveis para mudar.
E isso não é resistência no sentido simplista. É uma forma de funcionamento.
Mudar implica perda.
Implica abrir mão de formas conhecidas de existir, mesmo que sejam dolorosas.
Implica sair de lugares que, de algum modo, ainda oferecem algum tipo de segurança, pertencimento ou organização interna.
Por isso, muitas vezes, o cliente quer melhorar sem precisar mudar. Quer se sentir melhor, mas sem mexer naquilo que sustenta o problema.
E é nesse ponto que muitos terapeutas se perdem, porque começam a querer mais mudança do que o próprio cliente.
Insistem, confrontam, explicam, tentam levar o cliente a algum lugar… mas, na verdade, estão desconsiderando o ritmo e o limite daquele processo.
Na Gestalt-terapia, a mudança não é algo que o terapeuta provoca diretamente. Ela acontece quando há aumento de awareness, quando a pessoa começa a se perceber, reconhecer seus padrões e se implicar no que vive, mas isso só acontece se houver espaço para que o cliente esteja onde ele está.
Quando o terapeuta não sustenta isso, dois movimentos costumam acontecer:
Ou ele entra em frustração, achando que o cliente“não evolui”.
Ou ele começa a empurrar o processo, rompendo o vínculo.
Nem todo cliente quer mudar e reconhecer isso não significa desistir do processo. Significa ajustar a sua forma de estar.
Porque o trabalho não é fazer o cliente mudar. É ajudá-lo a perceber como ele se mantém exatamente onde está e isso, por si só, já é um movimento potente.
A pergunta não é: “Por que esse cliente não muda?”
Mas sim: “O que, para ele, ainda faz sentido em não mudar?”
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