NINGUÉM TEM QUE NADA.
- Transborda Psicoterapia
- há 2 dias
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A gente não tem que nada. A gente escolhe.E no consultório isso aparece o tempo inteiro: clientes exaustos de sustentar versões de si mesmas criadas para agradar, corresponder ou não decepcionar os outros.
A ideia de que “temos que” alguma coisa faz parte de um processo que, na gestalt, podemos pensar como introjeções: tudo aquilo que fomos absorvendo ao longo da vida sem realmente elaborar se faz sentido para nós. São regras, valores, exigências e modelos que entram na nossa vida de maneira automática, quase como verdades absolutas. A gente aprende cedo o que é considerado certo, bonito, admirável ou aceitável e começa a reproduzir isso sem se perguntar se realmente compactua com aquilo.
Então muitas pessoas vivem tentando cumprir um roteiro. Acham que têm que casar, têm que ter filhos, têm que encontrar a profissão perfeita, têm que ser produtivas o tempo inteiro, têm que ser bem sucedido aos 20 anos, têm que ler mais, estudar mais, ganhar mais, performar mais. Como se existisse um jeito correto de viver e como se qualquer coisa fora desse padrão fosse sinal de fracasso.
Mas nem sempre esses desejos nasceram da própria pessoa. Às vezes, são expectativas familiares. Outras vezes, são imposições da sociedade. E hoje, também existem as imposições silenciosas das redes sociais, que transformam tudo em comparação e fazem parecer que existe alguém vivendo melhor, produzindo mais ou sendo mais feliz do que você nesse exato momento.
O problema é que, quando a vida vira apenas reprodução automática de expectativas externas, o sentir perde espaço. A pessoa para de perceber o que realmente deseja, o que faz sentido para ela, quais são seus limites, suas vontades e até seus próprios valores. Ela passa a viver no automático, tentando alcançar metas que talvez nem sejam dela.
E isso não significa viver sem responsabilidade ou sem compromisso com nada. Significa entender que existe diferença entre fazer escolhas conscientes e viver aprisionado em obrigações que nunca foram questionadas.
Talvez uma das perguntas mais importantes da vida seja justamente essa:Isso que eu estou buscando faz sentido para mim ou apenas corresponde ao que esperam de mim?
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