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“O cliente não evolui”(talvez você esteja olhando do lugar errado)


 Essa é uma frase que aparece com frequência na clínica, muitas vezes acompanhada de frustração, dúvida e até sensação de impotência por parte do terapeuta. Mas ela merece ser olhada com cuidado, porque nem sempre o que está sendo chamado de “falta de evolução” diz respeito, de fato, ao processo do cliente.


Às vezes, diz mais sobre o lugar de onde o terapeuta está olhando. Existe uma expectativa, muitas vezes silenciosa, de que o processo terapêutico siga uma linha de progresso visível, coerente, quase linear. Que o cliente compreenda, mude, avance, integre. Quando isso não acontece dessa forma, surge a sensação de que algo está errado.


Mas a clínica não é linear.


O processo terapêutico envolve avanços, recuos, repetições, interrupções, resistências e momentos de aparente estagnação. E, muitas vezes, aquilo que parece não ser movimento é justamente parte do movimento.


Nem toda mudança é visível de fora. Nem toda elaboração aparece em forma de comportamento imediato.


Às vezes, o cliente está se aproximando de algo importante, mas ainda não consegue sustentar isso. Às vezes, ele percebe, mas não consegue agir. Às vezes, ele repete não porque não evoluiu, mas porque ainda está dentro de um padrão que, de algum modo, ainda faz sentido.


Quando o terapeuta olha para isso apenas como “falta de evolução”, corre o risco de desconsiderar a complexidade do processo.


Outro ponto importante é que, muitas vezes, essa ideia de evolução está atravessada por expectativas do próprio terapeuta. Expectativas de que o cliente mude mais rápido, de que compreenda melhor, de que responda às intervenções e de que saia de certos lugares. Desejo que parte mais do terapeuta que do cliente. E, sem perceber, o terapeuta pode acabar saindo da postura de acompanhamento para uma postura de condução.


Isso, muitas vezes, não favorece o processo. Pode, inclusive, gerar mais resistência ou afastamento.

 


 
 
 

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