O papel do Gestalt-terapeuta(e o que ele NÃO é)
- Transborda Psicoterapia
- há 2 dias
- 2 min de leitura
Existe um equívoco comum: achar que o terapeuta é quem conduz, explica ou leva o cliente a algum lugar.
Na Gestalt-terapia, não é isso.
O Gestalt-terapeuta não é guia.
Não é alguém que sabe mais sobre a vida do outro.
Ele é presença.
E presença não é técnica.
É uma forma de estar.
É sustentar um encontro real, onde duas pessoas se afetam no aqui-agora.
Na Gestalt, o principal instrumento de trabalho não é a intervenção.
É o próprio terapeuta.
Por isso, a base da clínica é a atitude fenomenológica:
Antes de interpretar → observar
Antes de explicar → descrever
Antes de concluir → permanecer
Isso exige sustentar algo difícil: o não saber.
Porque, quando sabemos rápido demais, deixamos de ver o que está acontecendo.
O terapeuta também está implicado na relação. Ele percebe o que sente, o que emerge, o que acontece no encontro. Isso também é material clínico.
A mudança não acontece no que o terapeuta faz sobre o cliente. Acontece no que se constrói entre eles.
O papel do Gestalt-terapeuta não é consertar.
É sustentar um encontro onde algo novo possa emergir.
Quando alguém é realmente visto, algo começa a se reorganizar. E é aí que a clínica acontece.
O Gestalt-terapeuta não conduz, não explica e não leva o cliente a um lugar. Ele sustenta um encontro.
Na Gestalt-terapia, a mudança não vem de técnicas aplicadas sobre o outro, mas da qualidade da relação construída no aqui-agora. Isso exige presença, disponibilidade e, principalmente, a capacidade de sustentar o não saber, porque, muitas vezes, o que transforma não é o que o terapeuta diz. É o que pode acontecer entre duas pessoas quando há contato de verdade.
Você já tinha pensado sobre o papel do terapeuta dessa forma?
Comentários