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O papel do Gestalt-terapeuta(e o que ele NÃO é)


Existe um equívoco comum: achar que o terapeuta é quem conduz, explica ou leva o cliente a algum lugar.

Na Gestalt-terapia, não é isso.


O Gestalt-terapeuta não é guia.

Não é alguém que sabe mais sobre a vida do outro.

Ele é presença.


E presença não é técnica.

É uma forma de estar.

É sustentar um encontro real, onde duas pessoas se afetam no aqui-agora.


Na Gestalt, o principal instrumento de trabalho não é a intervenção.

É o próprio terapeuta.


Por isso, a base da clínica é a atitude fenomenológica:

Antes de interpretar → observar

Antes de explicar → descrever

Antes de concluir → permanecer


Isso exige sustentar algo difícil: o não saber.

Porque, quando sabemos rápido demais, deixamos de ver o que está acontecendo.


O terapeuta também está implicado na relação. Ele percebe o que sente, o que emerge, o que acontece no encontro. Isso também é material clínico.


A mudança não acontece no que o terapeuta faz sobre o cliente. Acontece no que se constrói entre eles.


O papel do Gestalt-terapeuta não é consertar.

É sustentar um encontro onde algo novo possa emergir.


Quando alguém é realmente visto, algo começa a se reorganizar. E é aí que a clínica acontece.



O Gestalt-terapeuta não conduz, não explica e não leva o cliente a um lugar. Ele sustenta um encontro.


Na Gestalt-terapia, a mudança não vem de técnicas aplicadas sobre o outro, mas da qualidade da relação construída no aqui-agora. Isso exige presença, disponibilidade e, principalmente, a capacidade de sustentar o não saber, porque, muitas vezes, o que transforma não é o que o terapeuta diz. É o que pode acontecer entre duas pessoas quando há contato de verdade.

Você já tinha pensado sobre o papel do terapeuta dessa forma?


 
 
 

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