O problema não é quem você atrai, mas pelo o que você se atrai
- Transborda Psicoterapia
- há 23 horas
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Muitas pessoas chegam dizendo que sempre atraem o mesmo tipo de relação, como se houvesse algo no outro que se repete e que precisa ser evitado. Mas, quando olhamos com mais cuidado, a pergunta começa a mudar. Talvez o ponto não esteja apenas em quem aparece, mas no que, dentro de você, se sente atraído por aquilo.
Porque relações não acontecem só por acaso. Existe algo ali que faz sentido, mesmo que depois traga sofrimento. Algo que chama, que reconhece, que se aproxima. E, muitas vezes, esse movimento não é consciente.
Às vezes, o que atrai não é o que faz bem, mas o que é familiar. Aquilo que, de algum modo, já foi vivido antes, que já foi aprendido como forma de vínculo, mesmo que tenha sido atravessado por falta, instabilidade ou ausência. O conhecido costuma parecer mais seguro do que o novo, mesmo quando machuca.
Outras vezes, o que atrai está ligado a necessidades que ainda não foram reconhecidas. A busca por validação, por pertencimento, por cuidado, por confirmação. E, sem perceber, a pessoa se envolve em relações que parecem responder a isso, mas que, na prática, mantêm o mesmo lugar de falta.
Por isso, repetir relações não significa, necessariamente, escolher errado. Muitas vezes, significa estar escolhendo a partir de um lugar que ainda não foi ampliado.
E é aqui que a responsabilidade começa a aparecer, não como culpa, mas como possibilidade. Porque, quando o foco fica apenas no outro, a tendência é continuar tentando encontrar alguém diferente, esperando que isso resolva. Mas, quando o olhar se volta para o que em você se mobiliza, abre-se espaço para algo novo.
Isso não quer dizer que você controla tudo que acontece nas relações. Mas significa reconhecer que existe uma participação sua nisso. Nos critérios que, muitas vezes, não são conscientes, nas sensações que guiam a aproximação, nas formas de se vincular.
E, aos poucos, isso pode mudar. Não porque você passa a “escolher melhor” de forma racional, mas porque começa a se perceber mais, a reconhecer o que te atrai, o que te envolve, o que te prende.
A questão não é apenas evitar certos tipos de relação, mas entender o que, em você, ainda responde a elas. Porque, quando isso começa a se tornar consciente, o movimento também pode começar a ser diferente.
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