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Compreender as razões não cura o desconforto.


Saber as razões que levam alguém a agir de determinada forma explica muita coisa, mas não é suficiente para curar o desconforto gerado.


Compreender as razões do outro é, sim, um gesto de maturidade que exige escuta e empatia. Mas algo fazer sentido não é o mesmo que fazer bem para você.


Um comportamento pode até ser compreensível e, ainda assim, cansar e ferir.


Entender as razões do outro não é carta branca para neutralizar o impacto daquela atitude na sua vida.


É aí que precisamos reconhecer: o que o outro faz diz respeito a ele, mas o que você aceita diz respeito a você.


Não podemos controlar a forma como o outro nos trata. Podemos até compreender o que o levou a agir assim, mas o que nos cabe, de fato, é escolher como reagimos diante do que aconteceu.


Quando insistimos em ficar apenas porque entendemos, corremos o risco de transformar a compreensão e tolerância excessiva. Passamos a justificar o que machuca, a minimizar o que incomoda e a silenciar necessidades próprias.


Para a Gestalt-terapia, o objetivo final não é compreender nem explicar o porquê das coisas. O objetivo é acessar a experiência como ela se apresenta. Em vez de perguntarmos por que algo aconteceu, a Gestalt se interessa por como isso acontece: o que emerge no contato, o que se sente no corpo, quais emoções aparecem. A experiência, antes de ser interpretada, é vivida.


A redução fenomenológica interrompe esse automatismo. Ela nos convida a notar o mal-estar sem corrigi-lo e sem justificá-lo. Apenas reconhecê-lo.


Porque, no fim, saber as razões não vai curar o desconforto.


 
 
 

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