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RETROFLEXÃOQuando a energia que iria para o outro volta para si

há 11 minutos
2 min de leitura

Na Gestalt-terapia, chamamos de retroflexão o movimento em que a pessoa faz consigo mesma aquilo que gostaria de fazer com o outro.

Ela sente raiva, mas em vez de expressá-la, se contém. Quer colocar um limite, mas se cala. Fica incomodada com alguém, mas começa a pensar que está exagerando.

A energia que poderia ser direcionada para o ambiente volta para a própria pessoa.


No ciclo do contato, podemos compreender a retroflexão como uma interrupção entre a energização e a ação.

A pessoa percebe uma necessidade, mobiliza energia para agir, mas essa energia não chega ao ambiente. Ela fica contida.

Por isso, a retroflexão também pode aparecer corporalmente, através de tensão muscular, rigidez, respiração curta, aperto no peito ou mandíbula contraída.


Imagine uma pessoa que se sente constantemente desrespeitada pelo companheiro, mas tem muita dificuldade de expressar sua insatisfação.

Em vez de dizer “isso me incomodou” ou colocar um limite, ela permanece em silêncio. Depois, começa a pensar: “Talvez eu esteja sendo sensível demais”.

Ela não direciona sua energia para a relação. Volta essa energia para si, através da autocobrança e da contenção.


É importante lembrar que a retroflexão não surge simplesmente porque a pessoa “não sabe se expressar”.

Ela pode ter sido um ajustamento criativo em determinado momento da vida.

Talvez expressar raiva tenha sido perigoso. Talvez contrariar alguém importante ameaçasse um vínculo. Talvez dizer “não” trouxesse consequências que a pessoa não conseguia sustentar.

Aprender a se conter pode ter sido, naquele contexto, uma forma possível de se proteger.


O problema aparece quando esse ajustamento se cristaliza e continua acontecendo mesmo quando o campo já mudou.

Na vida adulta, a pessoa pode continuar evitando conflitos, engolindo incômodos, controlando a própria expressão e direcionando para si aquilo que gostaria de colocar na relação.

Por isso, a retroflexão não deve ser compreendida apenas como um comportamento a ser eliminado.


O trabalho clínico não é simplesmente incentivar o cliente a “falar o que pensa”.

Antes, precisamos compreender do que essa contenção protege, o que ela evita e qual é o custo de continuar funcionando dessa maneira.

Perguntas como “O que você está segurando agora?”, “O que você gostaria de dizer?” ou “Como você percebe isso no seu corpo?” podem ajudar a tornar esse processo mais consciente.


E sair da retroflexão não significa tornar-se explosivo ou dizer tudo sem filtro.

O objetivo é ampliar a possibilidade de direcionar a energia para o contato de maneira consciente e ajustada.

Isso envolve reconhecer o que sente, identificar suas necessidades, experimentar novas formas de expressão e também sustentar o impacto que essa expressão produz na relação.


No Coletivo Transborda, temos uma aula completa sobre retroflexão, em que aprofundamos esse conceito e suas implicações para a prática clínica.

Você vai encontrar uma discussão sobre o ciclo do contato, o corpo na retroflexão, sua compreensão como ajustamento criativo e, principalmente, como reconhecer e trabalhar esse mecanismo na clínica.

Conheça o conteúdo completo no Coletivo Transborda.

→ Acesse pelo link da bio, ou comente COLETIVO que te enviamos mais informações


 
 
 

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