Padronizar a terapia pode fazer com que ela perca justamente o que a torna terapêutica.
Não existe uma linguagem terapêutica que funcione da mesma maneira para todas as pessoas.
Cada cliente chega com uma história, uma forma de perceber o mundo, de estabelecer contato e de dar sentido às próprias experiências.
Por isso, o terapeuta também precisa criar uma linguagem para cada cliente que chega até ele.
Na Gestalt, partimos da compreensão de que cada pessoa desenvolveu, ao longo da sua história, maneiras próprias de se ajustar ao mundo.
Esses modos de estar foram construídos para lidar com situações que, em algum momento, foram difíceis de sustentar.
É o que chamamos de ajustamento criativo.
O que um dia foi uma forma de lidar com uma situação pode se tornar rígido, repetitivo e passar a interromper o contato.
Por isso, na Gestalt, nosso trabalho não é simplesmente corrigir o funcionamento do cliente. É construir uma forma de nos relacionarmos com ele a partir do que emerge naquele campo.
Por exemplo, quando lidamos com um cliente introjetor, que vive com base em regras, valores, normas e experiências que foram internalizadas, mas ainda não assimiladas, precisamos ter o cuidado de não reforçar esse funcionamento durante a terapia.
A ideia não é substituir uma regra por outra, mas favorecer que o cliente possa assimilar aquilo que está presente, diferenciando o que realmente faz sentido para ele daquilo que foi apenas incorporado ao longo da sua história.
Nesse sentido, uma possibilidade de intervenção é explorar o que o cliente de fato quer, qual é o seu desejo e o que faz sentido para ele, em vez de reforçar aquilo que é esperado dele.
Isso significa compreender que a técnica precisa estar a serviço do encontro e não o encontro a serviço da técnica.
Na Gestalt, não padronizamos a terapia porque não partimos de um cliente padrão. Cada cliente exige um campo diferente. E, para encontrá-lo, o terapeuta também precisa se ajustar criativamente.
Lá no Coletivo, desenvolvemos um material super completo, pensado para quem quer ampliar o repertório de possibilidades de intervenção na clínica.
Nele, você encontra exemplos de formas de cuidar e manejar diferentes estilos de funcionamento que podem aparecer no encontro terapêutico, com intervenções pensadas para diferentes tipos de clientes: dessensibilizado, defletor, projetor, introjetor, retroflexor, confluente, egotista e outros. Tudo isso está disponível no Coletivo Transborda.
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