COMO CUIDAR DE CADA ESTILO DE CLIENTE QUE CHEGA ATÉ O NOSSO CONSULTÓRIO?
- Transborda Psicoterapia
- há 13 minutos
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Cada cliente chega ao encontro trazendo o seu modo singular de se ajustar no mundo.
E, na Gestalt-terapia, a relação não é um método, é o próprio território onde o cuidado acontece.
Por isso, reconhecer como cada pessoa se organiza emocionalmente permite que o terapeuta também se ajuste com presença, sensibilidade e responsabilidade.
Com o dessensibilizado, o terapeuta precisa oferecer uma presença que seja “quente, mas não invasiva”. É um trabalho de afinar o campo sensorial: ampliar o contato com o corpo, com a respiração, com o tom da própria fala.
Não se trata de ensinar a sentir, mas de criar um clima onde a sensação possa emergir sem ser imediatamente anulada. Aqui, o terapeuta sustenta o silêncio, nomeia pequenas variações e acolhe nuances que o cliente ainda não alcança.
Com o defletor, a relação é construída na sutileza do retorno ao eixo. O humor, o desvio e as mudanças rápidas de assunto são modos de proteção; não de desinteresse. O terapeuta se oferece como “gravidade relacional”, trazendo o cliente de volta ao tema com delicadeza e curiosidade fenomenológica: “O que aconteceu com você quando chegamos nesse ponto?”.
A profundidade acontece quando o desvio é acolhido em vez de confrontado.
Com o introjetor, o terapeuta trabalha para dissolver o “devo” que engessa o sentir. É essencial construir uma relação onde o cliente possa experimentar o mundo a partir do próprio gosto e não do gosto aprendido.
O terapeuta se posiciona como alguém que convida à escolha, ao experimento, ao risco de ouvir a própria voz: “Se você não precisasse atender a nenhuma expectativa agora, o que apareceria?”.
Com o projetor, o terapeuta precisa de muita clareza interna. O campo é sensível, e qualquer confusão pode reforçar o mecanismo. O vínculo se fortalece quando o terapeuta devolve o movimento com precisão: “Quando você diz que eu estou irritado, percebo que estou tranquilo, como é notar isso?”.
A relação vira um território de diferenciação, onde o cliente aprende a reconhecer o limite entre o eu e o outro sem sentir-se abandonado.
Com o profletor, a relação se torna espaço para reorganizar a direção da energia: que sai demais do “eu” e vai em busca de resposta no outro. O terapeuta oferece um cuidado que não reforça a dependência, mas também não bloqueia a expressão.
Um equilíbrio fino: apoiar sem “salvar”. A pergunta-chave é: “O que é seu aqui? O que você precisa que ainda não está dando a si mesma?”.
Com o retrofletor, a relação terapêutica é quase um convite à permissão existencial. Esse cliente carrega tensões e emoções engolidas por anos. O terapeuta pode usar experimentos corporais sutis, variações de ritmo, exploração da voz e da respiração para ajudar a energia a circular.
É uma relação que precisa ser segura, previsível e sem pressa, para que o cliente não sinta que está sendo empurrado para fora do próprio ritmo.
Com o egotista, a dança relacional envolve firmeza, presença e autenticidade. Se o terapeuta se submete demais, some; se confronta demais, rompe.
Aqui, a profundidade nasce do encontro entre duas pessoas inteiras e o terapeuta precisa se mostrar sem medo: nomear seu impacto, sustentar limites, permitir ser visto. É assim que o egotista aprende que o outro existe e que isso não diminui sua potência.
Com o confluente, a relação precisa operar como fronteira: porosa, mas existente. O terapeuta ajuda o cliente a diferenciar-se com ternura, evitando interpretações que o façam sentir-se errado por “fundir-se” com o outro.
É um trabalho de contorno: “Enquanto você fala, sinto tal coisa e você, o que sente?”. Aos poucos, o cliente percebe que pode ser consigo mesmo sem perder o vínculo.
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