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Fazer demais pelo outro é uma forma de fugir de si.

Fazer demais pelo outro às vezes parece cuidado, mas pode ser fuga. Enquanto eu me ocupo salvando, resolvendo e sustentando alguém, evito olhar para o que em mim pede atenção.


Na Gestalt-terapia, isso tem nome: proflexão. É quando eu faço pelo outro exatamente aquilo que, no fundo, eu gostaria de receber: cuido demais porque queria ser cuidado; adivinho necessidades alheias porque tenho medo de pedir o que preciso.


Parece generosidade, mas muitas vezes é um desvio do contato consigo. Em vez de sustentar o vazio de dizer “eu preciso”, eu me mantenho ocupado dizendo “deixa que eu faço por você”.


Crescer é inverter o movimento: menos adivinhar, mais perguntar; menos se antecipar, mais se escutar; menos fazer pelo outro, mais aprender a pedir.


Como isso chega até você?


 
 
 

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