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Nem toda ansiedade é patológica

No mundo atual, a ansiedade tem sido compreendida quase exclusivamente como defeito, problema ou sintoma a ser eliminado. Em vez de ser olhada em sua função, em seu sentido e em sua relação com a experiência vivida, ela é rapidamente silenciada, medicada ou corrigida. 


Mas será que, ao fazermos isso, estamos realmente olhando para a ansiedade? Ou apenas tentando nos livrar do desconforto que ela anuncia, sem nos questionarmos o que está em jogo para o sujeito que a sente?


Para Ênio Brito, ao reduzir a ansiedade a algo a ser eliminado, deixamos de escutar seu sentido e sua função. É como se ordenassem a morte do mensageiro simplesmente porque a notícia que ele traz não nos é agradável. 


A ansiedade é inerente ao ser humano e faz parte da própria condição de existir. Ela pode ser vivida tanto de forma saudável quanto de forma patológica, e a diferença entre essas duas experiências não está na presença da ansiedade em si, mas na maneira como ela é vivida. Para isso, torna-se fundamental diferenciar essas duas ansiedades.


O critério mais importante para essa diferenciação é a qualidade do contato que o sujeito estabelece consigo mesmo, com o ambiente e com o fenômeno potencialmente gerador de ansiedade. 


Ou seja, a pessoa confia em seu autossuporte e no suporte ambiental para atravessar aquele momento de ansiedade? 


Quando há essa confiança, no aqui-agora, o sujeito pode correr riscos e crescer. Nesse momento, ele compreende que dispõe de recursos suficientes para iniciar algo novo e que, a partir desse início e em relação com o campo em que está inserido, saberá desenvolver os recursos necessários.


Enfim, precisamos entender a ansiedade como o que ela é: uma defesa que temos contato desde sempre e que trazemos conosco. 


 
 
 

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