Se para manter o outro você precisa se abandonar, esse contato não é genuíno.
Você já pensou quantas vezes deixamos de comunicar algo para o outro com medo de que o vínculo ali estabelecido fosse ameaçado? Por medo de que aquilo que sentimos assuste o outro.
Medo de que aquilo que pensamos afaste a pessoa que amamos. Medo de que, ao mostrarmos nossas necessidades, o outro queira partir.
Então, a escapatória passa a ser silenciar aquilo que sente, pensa e suas próprias necessidades para não assustar ou perder o outro. Silenciamos aquilo que sentimos, o que pensamos, o que precisamos. Na tentativa de não perder o outro, começamos, pouco a pouco, a nos perder.
Para a Gestalt, o encontro com o outro não deveria exigir o nosso desaparecimento. Não podemos nos abandonar para que o contato aconteça.
O que mais chama atenção nesse trecho é o medo de que, ao expressar seus sentimentos genuínos nesse encontro, acabe ameaçando o encontro com o outro.
Então, existe o medo de falar e, ao falar, perder.
Mas, apesar disso, existe uma consciência de que não falar também é perder.
Ao silenciar, você se perde. Desaparece em si mesma. Deixa de existir.
E aí que está o que seja talvez o mais importante:
Não existe contato genuíno quando, para permanecer com o outro, uma pessoa precisa desaparecer.
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