Você está investigando ou está interpretando?
- Transborda Psicoterapia
- há 21 horas
- 2 min de leitura
Uma das dificuldades mais comuns na clínica, principalmente no início, é a pressa em entender. O cliente começa a falar e, antes mesmo de ele terminar, o terapeuta já está organizando hipóteses, conectando com teoria, tentando “fechar” o que está acontecendo. Isso costuma vir de um lugar compreensível, como insegurança, vontade de ajudar, necessidade de acertar ou medo de não saber o que fazer. Mas, na prática, essa pressa em interpretar pode afastar o terapeuta do que está realmente acontecendo, porque interpretar rápido demais muitas vezes não é compreensão, é antecipação, e quando você antecipa, você para de investigar.
Na Gestalt-terapia, o foco não está em explicar o cliente, mas em acompanhar a experiência que está se dando no aqui e agora. Investigar é diferente de interpretar. Investigar é ficar com o que aparece, é observar, descrever, perguntar, acompanhar, é permitir que algo se revele no tempo da experiência. Já a interpretação precoce fecha o processo, cria uma narrativa antes que o fenômeno se mostre.
Muitas vezes, o cliente ainda nem entendeu o que está sentindo e o terapeuta já está nomeando, organizando, explicando, e isso pode gerar distância, porque o cliente passa a tentar entender a explicação em vez de se perceber. Na prática, isso aparece de formas sutis, como quando você já sabe o que vai dizer antes do cliente terminar, quando escuta pensando na teoria ou quando tenta encaixar o que ele fala em algo que você já conhece. Nesses momentos, você pode até estar ouvindo, mas não está exatamente em contato.
A atitude fenomenológica pede outra coisa. Antes de interpretar, observar, antes de explicar, descrever, antes de concluir, permanecer. Isso exige sustentar o não saber, e isso, muitas vezes, é o mais difícil, porque não saber dá insegurança, mas é justamente aí que o encontro acontece. Quando você não sabe, você fica mais disponível, mais curioso, mais aberto ao que está surgindo.
A pergunta não é apenas “o que está acontecendo com esse cliente?”, mas também “eu estou realmente acompanhando o que aparece ou já estou tentando explicar?”. Porque, na clínica, entender rápido demais pode dar uma sensação de segurança, mas muitas vezes é o que mais afasta do contato, e é no contato que o processo acontece.
Vem aprender mais com a gente no nosso espaço de troca e supervisão! Link na BIO 🫶🏼
Comentários