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A banalização da linguagem terapêutica

Os diagnósticos e algumas expressões que deveriam ser restritas aos consultórios de psicoterapia têm sido absorvidas pela cultura popular, principalmente nas redes sociais, e isso tem gerado novos significados para esses diagnósticos e expressões, o que tem atrapalhado os processos de autoconhecimento, as relações humanas e o trabalho do psicoterapeuta, se ele não fica atento e se permite refletir sobre isso. 


Por exemplo, é muito comum vermos pessoas compartilhando histórias de relacionamentos tóxicos, mesmo quando se trata apenas de alguma situação desafiadora dentro de uma relação; ou dizendo estar deprimido, quando na verdade está apenas atravessando um momento que despertou o sentimento de tristeza; ou que teve um ataque de ansiedade, quando o que está acontecendo é só um momento de euforia.   


As descrições das psicopatologias hoje são muito boas e cuidadosas, mas podemos observar o quanto elas foram desvirtuadas ao serem popularizadas, utilizadas de forma inadequada ou ainda de forma muito superficial. O que acaba favorecendo a patologização e a medicação do sofrimento existencial, que é próprio da condição humana.


Hoje vemos muita explicação sem informação e pouca compreensão e elaboração dos sentimentos. E sabemos que não dá para se escolher o que sentir, já que os sentimentos são acontecimentos corporais e não frutos da nossa vontade. Por isso, sempre existem dois caminhos: ou dialogamos com eles e crescemos ou os reprimimos, rotulamos sem informação e adoecemos. 


Um lembrete importante é: a vida é permeada por sofrimentos, e eles não podem ser confundidos com as psicopatologias. Essa é uma frase do ênio brito que define bem essa discussão. E é por isso que nós, psicoterapeutas, precisamos sempre nos lembrar de que há sofrimentos que são da vida, que favorecem o crescimento e que não necessariamente são patologias, mas faz parte da existência humana.


Como você percebe isso no seu consultório? Conta aqui pra gente.


 
 
 

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