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Adoecemos quando nos polarizamos em um único aspecto das experiências.

Somos constituídos por aspectos opostos que coexistem: força e fragilidade, amor e raiva, controle e entrega. Mas, muitas vezes, nos identificamos apenas com um desses polos e rejeitamos o outro, criando um desequilíbrio interno.


Quando negamos ou reprimimos uma parte de nós mesmos, ela não desaparece, mas se manifesta de maneira indireta. A agressividade reprimida pode surgir como passividade extrema ou explosões inesperadas, o desejo de autonomia pode se transformar em resistência à intimidade, e a necessidade de acolhimento pode se disfarçar de independência rígida. Esse mecanismo de exclusão de uma polaridade é o que nos distancia de um funcionamento mais autêntico e integrado.


A Gestalt-terapia propõe a integração dessas polaridades. Em vez de lutar contra nossos aspectos reprimidos, o convite é para reconhecê-los e encontrar um ponto de equilíbrio entre os extremos. Como Fritz Perls dizia, a cura acontece quando nos tornamos inteiros. Isso significa aceitar que somos tanto luz quanto sombra, e que ambas as partes têm algo a nos ensinar.


Ao trazer essas polaridades para a consciência, conseguimos abandonar padrões rígidos de comportamento e nos tornamos mais flexíveis e criativos na forma como lidamos com nossas experiências. O trabalho terapêutico, então, não é sobre escolher um lado, mas sim sobre viver plenamente todos os nossos aspectos, dando a cada um o espaço necessário para se expressar de forma saudável e consciente.


 
 
 

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