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"O fato de vivermos apenas com uma porcentagem tão baixa de nossos potenciais, é porque não estamos dispostos a aceitar nós mesmos". (Fritz Perls)

Essa frase do Fritz Perls toca em um ponto central da Gestalt-terapia: a relação que temos com quem somos de verdade.


Quando Perls diz que vivemos apenas uma pequena porcentagem dos nossos potenciais, ele não está falando de falta de talento, capacidade ou oportunidade. Ele aponta para algo mais profundo: a dificuldade de nos aceitarmos integralmente. Aceitar-se aqui não é acomodação, mas reconhecer a própria experiência tal como ela é, com limites, contradições, desejos, medos e possibilidades.


Muitas vezes, gastamos uma enorme quantidade de energia tentando ser quem acreditamos que deveríamos ser: mais produtivos, mais fortes, mais calmos, mais agradáveis. Nesse movimento, negamos partes de nós, ajustamos nosso comportamento para caber em expectativas externas e nos afastamos da nossa experiência genuína. O resultado é uma vida vivida “pela metade”, onde o potencial fica contido, interrompido ou anestesiado.


Na perspectiva gestáltica, a mudança acontece paradoxalmente quando nos aceitamos como somos, e não quando lutamos para nos tornar algo idealizado. É no contato honesto com o que sentimos, pensamos e fazemos no presente que a energia volta a circular. Aceitar-se não elimina o desconforto, mas cria espaço para escolhas mais conscientes e criativas.


Assim, Perls nos convida a um movimento de coragem: abandonar a guerra interna e entrar em contato com quem somos agora. Quanto mais integramos nossas partes, inclusive as que rejeitamos, mais ampliamos nossa vitalidade, nossa espontaneidade e, consequentemente, nosso potencial de viver de forma mais inteira e autêntica.


 
 
 

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