"Poderia falar sobre como se dá o raciocínio clínico na Gestalt-terapia em termos de sessão?"
- Transborda Psicoterapia
- há 2 horas
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A primeira coisa importante é entender que o raciocínio clínico gestáltico segue uma lógica fenomenológica, ou seja, não buscamos apenas entender o que acontece com o cliente.
Buscamos compreender o sentido daquilo que acontece, sintomas, comportamentos, emoções e pensamentos são vistos como fenômenos que carregam significado.
Por exemplo:
Uma pessoa chega dizendo que procrastina muito, nosso objetivo não é simplesmente fazer com que ela pare de procrastinar.
A pergunta é:
Qual a função desse "não fazer"?
Do que ela está se protegendo?
O que ela evita encontrar quando não faz?
É a partir dessas perguntas que surgem nossas intervenções.
O objetivo não é interpretar ou dar respostas prontas, mas ampliar a consciência do cliente sobre sua forma de agir e funcionar no mundo.
Como sente.
Como se relaciona.
Como evita.
Como interrompe o contato.
Como tenta se proteger.
Uma coisa que sempre falamos em supervisão:
Não fique satisfeito com a primeira resposta que o cliente traz.
Você pergunta algo.
Ele responde "X".
E aí?
O que esse "X" significa?
Como ele vive isso?
Como sente isso?
O que exatamente quer dizer quando fala isso?
Isso é fazer redução fenomenológica, ir além da explicação pronta, esmiuçar o sentido da experiência até compreender o que aquele fenômeno representa para aquela pessoa específica.
Porque "procrastinar", "ter ansiedade" ou "sentir ciúmes" nunca significam exatamente a mesma coisa para todo mundo.
Frequentemente, os sintomas e padrões repetitivos estão ligados a experiências que não puderam ser plenamente elaboradas.
São situações inacabadas que continuam influenciando o presente.
A famosa gestalt aberta.
Por isso, ao longo do processo terapêutico, vamos identificando essas gestalten abertas e ampliando a consciência sobre elas.
Muitas vezes, aquilo que hoje aparece como sintoma foi uma forma criativa de ajustamento em algum momento da vida.
O problema é quando essa estratégia fica rígida e continua sendo usada mesmo quando já não faz mais sentido.
No fim das contas, nosso trabalho compreendemos o que os sintomas estão tentando comunicar porque quando a consciência se amplia, novas escolhas se tornam possíveis.
E é aí que a mudança acontece.
Por aqui, nosso objetivo é justamente ajudar psicólogos a construir, desenvolver e consolidar esse raciocínio clínico gestáltico.
Para isso, temos dois espaços que cumprem muito bem essa função:
A Supervisão Clínica
e o Coletivo Transborda - nossa biblioteca viva da Gestalt-terapia, com conteúdos que conectam teoria e prática de forma clara, didática e aplicável à clínica real.
Vamos com a gente?
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