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"Poderia falar sobre como se dá o raciocínio clínico na Gestalt-terapia em termos de sessão?"


A primeira coisa importante é entender que o raciocínio clínico gestáltico segue uma lógica fenomenológica, ou seja, não buscamos apenas entender o que acontece com o cliente.


Buscamos compreender o sentido daquilo que acontece, sintomas, comportamentos, emoções e pensamentos são vistos como fenômenos que carregam significado.


Por exemplo:

Uma pessoa chega dizendo que procrastina muito, nosso objetivo não é simplesmente fazer com que ela pare de procrastinar.

A pergunta é:

Qual a função desse "não fazer"?

Do que ela está se protegendo?

O que ela evita encontrar quando não faz?


É a partir dessas perguntas que surgem nossas intervenções.

O objetivo não é interpretar ou dar respostas prontas, mas ampliar a consciência do cliente sobre sua forma de agir e funcionar no mundo.

Como sente.

Como se relaciona.

Como evita.

Como interrompe o contato.

Como tenta se proteger.


Uma coisa que sempre falamos em supervisão:

Não fique satisfeito com a primeira resposta que o cliente traz.

Você pergunta algo.

Ele responde "X".

E aí?

O que esse "X" significa?

Como ele vive isso?

Como sente isso?

O que exatamente quer dizer quando fala isso?



Isso é fazer redução fenomenológica, ir além da explicação pronta, esmiuçar o sentido da experiência até compreender o que aquele fenômeno representa para aquela pessoa específica.

Porque "procrastinar", "ter ansiedade" ou "sentir ciúmes" nunca significam exatamente a mesma coisa para todo mundo.


Frequentemente, os sintomas e padrões repetitivos estão ligados a experiências que não puderam ser plenamente elaboradas.

São situações inacabadas que continuam influenciando o presente.

A famosa gestalt aberta.


Por isso, ao longo do processo terapêutico, vamos identificando essas gestalten abertas e ampliando a consciência sobre elas.

Muitas vezes, aquilo que hoje aparece como sintoma foi uma forma criativa de ajustamento em algum momento da vida.

O problema é quando essa estratégia fica rígida e continua sendo usada mesmo quando já não faz mais sentido.


No fim das contas, nosso trabalho compreendemos o que os sintomas estão tentando comunicar porque quando a consciência se amplia, novas escolhas se tornam possíveis.

E é aí que a mudança acontece. 


Por aqui, nosso objetivo é justamente ajudar psicólogos a construir, desenvolver e consolidar esse raciocínio clínico gestáltico.

Para isso, temos dois espaços que cumprem muito bem essa função:

A Supervisão Clínica

e o Coletivo Transborda - nossa biblioteca viva da Gestalt-terapia, com conteúdos que conectam teoria e prática de forma clara, didática e aplicável à clínica real.

Vamos com a gente?


 
 
 

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