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Se não fosse a tristeza, eu jamais saberia o que é felicidade.

A experiência humana é compreendida em termos de contraste e complementaridade. O medo nos ensina a coragem, a tristeza nos ensina a felicidade e a morte nos ensina a viver. Só conseguimos perceber e dar sentido a algo porque experimentamos seu oposto. Esse é o princípio das polaridades: uma emoção, um estado ou uma vivência só fazem sentido porque existem em relação ao seu contrário.


A felicidade, por exemplo, só pode ser reconhecida porque já sentimos tristeza. Se alguém vivesse apenas em um estado contínuo de felicidade, sem nunca experimentar a dor, não teria um parâmetro para identificá-la. Seria como tentar definir a luz sem conhecer a escuridão.


Na Gestalt, isso também se aplica ao processo de autoconhecimento. Muitas vezes, tentamos negar ou reprimir aspectos de nós mesmos que consideramos “negativos”, como medo, insegurança ou vulnerabilidade. Mas, ao fazer isso, também limitamos nossa capacidade de viver o que chamamos de “positivo”, como coragem, confiança e força. Quanto mais tentamos evitar a dor, mais empobrecemos nossa experiência do prazer e da alegria.


É na diferença, no contraste, que identificamos o que sentimos. Quando estamos tristes, nossa percepção da felicidade se torna mais nítida. Quando enfrentamos o medo, conseguimos reconhecer a coragem. Viver plenamente significa permitir-se atravessar esses extremos, aceitando que a vida é feita de ciclos e que cada emoção tem seu papel na construção de nossa existência.


A Gestalt-terapia nos convida a integrar essas polaridades, em vez de fugir delas. Em vez de buscar apenas um estado fixo de felicidade, aprendemos a fluir entre os opostos, reconhecendo que cada experiência tem um significado dentro do todo que somos.


 
 
 

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