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Ser Gestalt-terapeuta exige sustentar a nossa angústia de não saber.

Exige abrir mão da pressa por respostas, diagnósticos fechados e caminhos previamente traçados. Na Gestalt-terapia, não partimos de certezas, mas de presença.

 

Sustentar o não saber é confiar no processo, no campo que se revela no encontro, naquilo que emerge na fronteira de contato. É escutar antes de nomear, sentir antes de explicar, acompanhar antes de conduzir. É permitir que o sentido se construa na relação, e não seja imposto por teorias ou expectativas.

 

Essa posição não é confortável. Ela convoca nossa própria angústia, nosso desejo de controle, nossa necessidade de “fazer certo”. Mas é justamente aí que a clínica se torna viva. Quando o terapeuta aceita não saber, cria espaço para que o cliente também se escute, se experimente e se reconheça.

 

Na Gestalt, não saber é abertura. É respeito à singularidade da experiência. É confiar que algo verdadeiro pode emergir quando estamos, de fato, disponíveis ao encontro.

 

Talvez ser gestalt-terapeuta seja isso: ter coragem de permanecer, com o outro e consigo, no território do ainda não nomeado.


 
 
 

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